sábado, novembro 13, 2010

quarta-feira, abril 15, 2009

Cinco vezes cinco

Dezoito sorrisos ao amanhecer
Lembram vinte e cinco voos rasos.
Mais dois saltos na multidão
Três vezes nove.
E ao dividir a minha mão
Ganho cinco vezes quatro suspiros.
Quando anoitece no meu olhar
Uma vez consigo, cinco vezes cinco.

Sou de mim

Não sou daqui nem dali.
Sou de mim.
Nasci na rua dos meus pés
e pelos jardins do meu umbigo cresci.
Vivo num beco húmido que me dói
Ou que me apraz quando me visitam.
Numa ruela escura que cuido bem
Para receber quem vai e vem.
Por vezes subo ao monte
de onde vejo o farol alto
E sonho que ele me visita
Vinte vezes numa noite
Luz incidindo no meu rosto
Ilumina a minha casa.

Criatividade...numa aula sobre criatividade.

É com amor que te escrevo a criatividade.
Como uma conversa silenciosa daquelas que temos.
Hoje partilho as minhas palavras surdas contigo e escuto o teu sorriso aqui neste canto de arco-íris onde gostamos de nos visitar.
Ser criativo é isto.
Reinventarmo-nos e reinventar formas de mostrar que nos amamos.

Um beijo filha.

domingo, julho 20, 2008

Viagem prometida

Pensei em ti e revivi.
Olho-te e o meu olhar sorri,
De mil asas, vento na cara,
Corpo tremido ao som da viagem,
Inacontecida, Inesperada...
És na minha vida a paragem,
Num renascimento de pele
Que me rejuvenesce,
Ao som do motor que aquece
Para a viagem perdida
(Ou talvez esquecida)
Outrora prometida,
De mil asas e vento na cara,
Corpo tremido, ferida que sara.

sexta-feira, julho 18, 2008

Estou em Zen...

Bem, apesar do reboliço que tem sido a minha vida nos últimos tempos, parece-me que finalmente encontrei um equilíbrio, ou como diria a minha professora de Arte-Terapia Psico-Educacional, "afinei o instrumento". ( Entenda-se como instrumento a minha pessoa, de uma forma holística.)
Estou em Zen... Sinto-me em Zen... num equilíbrio "fantabulástico"!!!, de tal forma que até me apetece escrever estes neologismos pirosos, porque é como me sinto (não pirosa mas fantabulástica). Como um sempre em pé. Vá, empurrem, que eu volto à forma inicial, não me volto de pernas para o ar, a menos que seja intencional, sei onde fica o norte e é para lá que me dirijo. Conheço o território do sul e sei como manter-me afastada desse abismo, ou precipício pelo qual me sentia brutalmente atraída em determinadas circunstâncias.
É possível vencer a depressão! Sei-o pela...hum...já não me lembro quantas foram, nem quero lembrar-me. Quero apenas aprender, gravar os motivos pelos quais estive assim e não cair no sul novamente. Que perda de tempo! Que apatia! Que raiva! Que ódio sinto por não ter controlado as minhas emoções...

segunda-feira, julho 14, 2008

Negros olhos

Negros os teus olhos
de branco azul,
confortam-me na
solidão.
Relação simbólica:
Desamor crú,
desbotado no caminho
traçado sozinho.
Vida minha,
Obsessiva redução.

terça-feira, junho 03, 2008

Alcoutim

Fluxo de cores, de gente,
Que vem chegando de fora,
Espreitam nas margens do rio,
Desembarcam, sem demora.

Esta terra, de cheiro quente
Vai mantendo a paisagem
Só não mantém essa gente
Que passa de viagem.

O regresso é a certeza
De rever a gente pura,
De pisar a casta paisagem.
Beijar num gesto a ternura.

Diana Cunha (Alcoutim, 4-Set- 2006)

terça-feira, maio 13, 2008

Reflexos


Para a exposição “Espelho, espelho meu”

Pintura
Título: Reflexos
Dimensões: 92/73 cm
Técnica: Acrílico, ecoline e espelho sobre tela

Quero ser Eu sem ti.
Quero ser e não sei se Sou,
Só sei quem sou
Agora, assim e aqui.
Reflexo onde me projecto,
Onde sou e quero ser Eu.
O que mostras?
O que vejo em mim?


Autora: Diana Cunha
Data: Abril de 2008

sexta-feira, maio 09, 2008

Túnel

Ao fundo do túnel, uma luz chamava por mim compassada e incessantemente. Diana. Diana. Diana. E como que dividindo silabicamente, Di, Di...a..na. Ouvia-o nitidamente sem no entanto perceber claramente se se tratava de um som interno que me pedia, como um grito prolongado, que saísse daquele túnel húmido e escuro. A voz, fosse qual fosse, chamava-me à luz da realidade. Dizia-me que regressasse a mim.
Lentamente, desenrolei a cabeça que estava pousada nos joelhos e permiti-me espreitar mais do que os cantos dos olhos me deixavam vislumbrar. Olhos molhados. Coração doído. Quis enrolar-me novamente e deixar-me ficar no desconforto daquela forma de viver. Sozinha, com o frio a penetrar-me os ossos e a água gotejante do túnel a humedecer-me a roupa rasgada. Era tão fácil. Seria tão mais monótono e possível ficar ali.
Diana... chamava a voz. Olhei melhor. Não via nada porque os meus olhos estavam habituados a ver o negro. Decidi então que era imperativo levantar-me, controladamente e sem perder o meu território, na tentativa de perceber o que estava a escapar-me do outro lado, no exterior do túnel.
DI A NA
Levantei-me e tropegamente dei uns quantos passos. Ao perceber-me capaz de caminhar deixei de controlar o espaço que considerava meu território. Parei de olhar para trás. Deixei-me conduzir pela voz e pela curiosidade. Os meus olhos secaram mas ainda me tremia o corpo, as mãos sobretudo.
Rapidamente me apercebi que havia uma bifurcação no túnel e que duas luzes esperavam por mim. Duas vozes. Diana! E segundos depois uma voz masculina quase cantava Di...a...na! Qual escolher? Que caminho seguir? Decidi espreitá-los e regressar atrás para decidir qual o caminho a tomar. No final do caminho da esquerda vislumbrava uma taça vermelha cheia. Não tive a certeza de querer seguir aquele caminho. No outro deparei-me com um grande rochedo com uma espada presa. Pensei que talvez fosse minha função libertá-la. Regressei à base. Sentei-me uns minutos sem me decidir.
Foi nesse momento que resolvi olhar para cima. Ambas as vozes me chamavam. Gritavam por mim em uníssono. Uma terceira luz, pequena, tímida, chamou-me. Levantei-me. Trepei com dificuldade pelas paredes escorregadias do túnel. Toquei na luz, abri caminho alargando o buraco por onde submergia e consegui esgueirar-me para fora do túnel.
No início senti-me confusa, não via nada, os olhos estavam cegos. Estava perdida uma vez mais, agora com a liberdade. Mas aos poucos fui-me habituando à claridade e finalmente reparei que tinha chegado ao prado verde da minha infância e que à minha volta estavam os dois objectos que vira de dentro do túnel. Aceitei-os e integrei-os em mim. Cálice contentor e feminino. Espada cruel que me defende.

sábado, maio 03, 2008

“Sete anos mais Sete”

Conheci um desconhecido
Numa manhã de Verão quente
Onde o sol se deita nas nuvens
E a menina brinca contente.

Ele olhava de fugida
Sorria-me sem saber
Que estava perante a vida
Em potência de uma mulher.

À tarde perto da porta, na aldeia quase morta
Duas crianças unidas esperam o sopro do vento
Que inverta o movimento
E lhes roube o beijo da vida
Sete anos desconhecida.

Mas o vento sopra contrário
E a noite cai no monte
A menina segue brincando
E o menino, desesperando,
Entrega-se à morte no escuro
Hibernando o amor puro.

Sete anos de inocência
Outros sete de ausência
Já brilha a madrugada,
E a menina volta saltando,
Selvagem, égua Mustang
Indomável pela alvorada.

Encontra esperando-a o menino
No beiral da porta caído
Adormecido na esquina do tempo.
Ele revê nos olhos o fogo
A pureza da mesma menina
Brincando no mesmo jogo,
Levanta-se e corre logo.

Mas as calças do menino foram
Sete anos da vida caladas
Denunciam o crescimento
Rotas e desfiadas.

O Mustang desiludido
Pára a marcha e num sorriso
Eleva as patas, relincha.
O homem já é crescido
Perdera o lindo menino.
Soltei as asas ao vento.

terça-feira, abril 22, 2008

Palminhas!!!

Hoje conseguiste emitir um som ao bateres palmas. Foi a primeira vez, que querida! Andavas a tentar bater palmas há umas semanas...mas ainda não acertavas com as palmas uma na outra e, finalmente, hoje conseguiste. Foi tão bonito o momento. Estavamos na cozinha com o pai e a avó, fizeste o "burrinho" com essa carinha linda a sorrir e fungar para nos provocar e de seguida bateste as palmas.
Que orgulho...ai tanta baba da mãe...

segunda-feira, abril 07, 2008

Já me sento!!!

Contente por teres mais e melhor acesso aos teus brinquedos, ficas sentada sozinha e muito bem equilibrada a brincar. E melhor ainda, não queres sentar-te, só queres ficar em pé e também te aguentas mais ou menos agarrada a qualquer coisa. Aos gritinhos, claro. Mas de facto a novidade de sentar sozinha aconteceu este sábado, dia 5 de Abril, quatro dias após fazeres seis meses. Que orgulhosa e babada que estou...

sexta-feira, março 14, 2008

Não vou mentir-te e dizer que tudo é um mar de pétalas perfumadas. Eu queria que tivesses aquilo a que tens direito, que morasses com os teus 2pais e vivesses embebida na felicidade proveniente dessa união. Sou feliz contigo, meu amor, e tudo com que sonhei a vida toda foi conhecer-te, esperei ansiosamente pelo teu nascimento e reconheci-te logo, como se te esperasse desde o tempo de uma outra vida. Apesar de tudo prometo que vamos ser cada vez mais felizes...só podemos, porque o amor gera apenas amor e do meu amor nasceste Tu, o pedacinho de mim, o rochedo de energia e felicidade que faltava no oceano sufocante que era eu sem ti. Não vou dizer como dizem muitas pessoas que serei mãe e pai. Isso é um engano. Posso somente garantir que sou Mãe, Tua para Tudo e Todo o Sempre, nesta e na outra e na outra e na outra vida que se seguirá.

segunda-feira, março 10, 2008

Sentada, vou brincando...

Com cinco meses já te aguentas muito bem sentada. Lá dás uns tombos, mas vais brincando energicamente com os bonecos que tens a frente, ou com as tuas mãos...observadora.
Quando te sento ao meu colo não te contentas nessa posição, dou-te as mãos e fazes tanta força nas pernas que ficas em pé num segundo. Depois não desces...ris muito quando consegues ficar em pé...já queres dar umas boas gargalhadas! Que linda que é a minha pequenina... Mas vamos lá com calma que não queremos ficar com problemas na coluna, sim?

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Eu palro, tu palras...palramos todos!

...quanto mais não seja, para te incentivar palramos todos cá em casa. Tu desde muito cedo que emites os teus sons vocais, nessa ansiedade de comunicação que salta em ti por todos os poros. Transpiras vida, vontade de te dares ao mundo! Primeiro, por volta do mês de vida dizias "hum", "a", depois entre o mês e meio e os dois meses disseste "ooooááááá" após ouvires repetidamente a tia L. em cima da tua cara a dizer muito expressivamente um "OLÁ" que exigia resposta. Ninguém queria acreditar, mas desde aí, sempre que alguém te cumprimentava tu dizias "oooooooooáááááá´" com um grande sorriso e os olhos a fervilhar palavras e expressões que querias dizer. Entretanto foste acrescentando uma data de sons e agora palras que é uma maravilha. "aaa", "áááá", "ooo", "ééé", "aaaaiiii" (às vezes até dizes este último quando acabas de suspirar após largos minutos de conversa intensa comigo). A tua última é " aaaabuuuu" e também "aabbrrr". É um máximo, porque à medida que te vais ouvindo vais descobrindo novos sons que consegues fazer e depois explora-los até ao limite.
Boa noite, meu amor.
(P. Amiga, segui o teu conselho...os textos são para a B.)

sábado, fevereiro 09, 2008

A Sopinha

Foi na segunda-feira passada que lhe dei a primeira sopinha.
Tinha a certeza que ia adorar sopas porque sempre foi bastante sofrega a beber o biberão, parecia querer mais e mais comida...sopas...Finalmente experimentei uma sopinha (sim, porque a esta altura do campeonato tudo termina em inha ou inho no meu vocabulário) de cenourinha e batatinha. Era ve-la deliciar-se a sugar da colherzinha o mais que podia. Tão querida!... Mas bom, nesse dia foi metade fora e metade dentro como é natural, por estar tão habituada à mama e ao biberão, só que não levou muito tempo até que se adaptasse. No dia seguinte tentámos novamente comer a sopa e lá estava a B. ansiosa que a colherzinha chegasse perto da boca para comer. Não só comeu tudo como começou a refilar entre cada colherada de sopa porque eu não consigo com a minha destreza ser tão rápida como ela quer. E a frutinha cozida??? Ui, come que é uma maravilha. Sim senhora, B...quinha, estás de parabéns e estou MUUUUITO contente por comeres com tanta vontade, tal como eu previ.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Chorei quando tu sorriste


"Tinhas um mes quando vi o teu primeiro sorriso. És bonita, mas quando vi esse sorriso luminoso de gengivas à mostra não consegui conter-me e cairam-me as lágrimas de tanta alegria. És LINDA!"

Escrevi estas palavras para a Bianca na altura em que começou a encantar-me com os seus sorrisos. E encanta mesmo. Quando quer levantar-se de onde está, ou quando está a resistir ao sono sabe que pode olhar para mim e lançar-me um daqueles sorrisos de orelha a orelha e gengiva à mostra, maroto e charmoso, que eu não resisto e pego nela para enche-la de beijos! Eheh...e ela sabe bem como conquistar-me.