
No café, a certeza de uma chávena quente para me acordar a meio da tarde. Levanto-me porque o sol já acalmou, porque a água fria do duche promete momentos calmos, porque a minha pele suada já não suporta o peso dos lençóis. Sou expulsa da cama.Venho vestida de branco. Como ontem e anteontem e todos os dias da minha vida. Uma palidez controlada que se vai equilibrando com as sardas irrequietas que nascem de dia para dia. Na cara, nos braços, nas costas, já nem a minha mão direita escapa. Sempre gostei de sinais. Sobretudo quando nascem. Ao início a incerteza de que sejam sinais, há que segui-los com cautela, podem ser mera sujidade ou uma ferida mal sarada. Depois gosto deles porque me tornam sempre diferente de mim mesma de dia para dia, ao contrário desta minha palidez rotineira. Não gosto da rotina.

