segunda-feira, março 06, 2006

Naufrágio

foto de eleia "barco"

Quem me roubou a inocência?
Sinto-me desesperar.
Sentada, espero a ocorrência
Do revolver do sal do mar,
Neste barco da paciência
Que tende a naufragar.
E o sol que me queima as feridas
Vai-se escondendo, aos poucos.
Só não se escondem em mim
Os gritos, altos e roucos.
eleia

O espelho de Alice (a ideia original)

Alice estava verdadeiramente numa encruzilhada. O espelho à sua frente mostrava-lhe as dificuldades do caminho que desejava tomar. Na sala ao lado esperava-a a sua mãe, fumando um cigarro inquieto, espectante das novidades de Alice. Depois de refrescada a cara, Alice abandonou a sua imagem no espelho e sentou-se na mesa do café onde a esperava Maria.
Mãe. O que eu tenho para dizer pode resumir-se numa frase...e no entanto, são palavras que nunca julguei ter de dizer.
Filha, estás a assustar-me. Conta-me. Sabes que podes falar comigo...e contar comigo.
Foi nesse momento que chegou Clara. Alice tinha combinado com ela naquele café, àquela hora. Aproximou-se da mesa onde estavam as duas, cumprimentou Alice e sentou-se.
Mãe, esta é a Clara. Ela é o que eu tenho para te dizer. Eu...nós vamos viver juntas.
Maria sorriu espantada. Soltou o nó que lhe prendia a garganta e esforçou-se por falar. Dizer o que não esperava dizer.
Pois, está numa boa altura de saires de casa, e se tens esta oportunidade de viver com uma amiga, tens o meu apoio. (Encheram-se os olhos de àgua e sal.)
Alice sorriu e, sem mais demoras, saltou do lado de cá do espelho.
Eu e a Clara namoramos.
Maria levantou-se da cadeira e pagou a despesa.
Dá-me tempo para aceitar o teu mundo,Alice.
Alice e Clara aventuraram-se pelo país das maravilhas.


Eleia