sábado, maio 03, 2008

“Sete anos mais Sete”

Conheci um desconhecido
Numa manhã de Verão quente
Onde o sol se deita nas nuvens
E a menina brinca contente.

Ele olhava de fugida
Sorria-me sem saber
Que estava perante a vida
Em potência de uma mulher.

À tarde perto da porta, na aldeia quase morta
Duas crianças unidas esperam o sopro do vento
Que inverta o movimento
E lhes roube o beijo da vida
Sete anos desconhecida.

Mas o vento sopra contrário
E a noite cai no monte
A menina segue brincando
E o menino, desesperando,
Entrega-se à morte no escuro
Hibernando o amor puro.

Sete anos de inocência
Outros sete de ausência
Já brilha a madrugada,
E a menina volta saltando,
Selvagem, égua Mustang
Indomável pela alvorada.

Encontra esperando-a o menino
No beiral da porta caído
Adormecido na esquina do tempo.
Ele revê nos olhos o fogo
A pureza da mesma menina
Brincando no mesmo jogo,
Levanta-se e corre logo.

Mas as calças do menino foram
Sete anos da vida caladas
Denunciam o crescimento
Rotas e desfiadas.

O Mustang desiludido
Pára a marcha e num sorriso
Eleva as patas, relincha.
O homem já é crescido
Perdera o lindo menino.
Soltei as asas ao vento.

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