quinta-feira, outubro 05, 2006

homem com H

"Um homem com H grande acima de tudo tem de respeitar, em primeiro lugar o Homem, em segundo lugar o Homem e em terceiro lugar o Homem.
Nós somos seis irmãos, quatro meninas e dois meninos, e a minha mãe sempre disse lá em casa, desde pequenos, Nenhum homem vai faltar ao respeito das minhas filhas e nenhum filho meu vai um dia desrespeitar uma mulher. E não há tribunal para ninguém. O juiz aqui sou eu que estou aqui sentada. Por isso eu conheci a minha mulher com dezassete anos e aos vinte e três casei com ela e ainda hoje mantenho a mesma mulher e estou muito bem servido com a minha A. P. Temos quatro filhos e o mais pequeno, com nove anos, tem um quisto no cérebro e soubemos aos quatro meses de gravidez que ele era deficiente, mas nunca pensámos interromper, avançámos com tudo, frequentámos todo o tipo de congressos e informação que nos servisse de ajuda para alguma coisa. E estou aqui. E a geração que hoje é a sua (dizia para mim) foi criada por nós com liberdade em excesso. Por isso eu digo sempre que um homem que não se compromete hoje em dia é por uma questão de berço. Não é culpa de ter ou não ter formação académica, é uma falha na educação por parte dos pais. "
Foi uma conversa de café. Mas de facto tenho reparado que cada vez mais há uma dificuldade em assumir compromissos com outras pessoas. Porquê? Será fruto de um egocentismo crescente da sociedade? Será que já ficou de parte o velho lema "Um por todos e todos por um" dando lugar a um enfadonho "eu por mim e tu por ti"? Será culpa dos pais de hoje, educação de berço, como diz o senhor P.?

terça-feira, outubro 03, 2006

Tristeza

O peito aperta-me de raiva. Não sei se sou a menina da inocência que cega, se sou a mulher que anseio vir a ser, fortaleza de inocência numa nova forma de ver. Não sei porque me parto em cacos, porque quebro este cristal de que sou feita, com uma paixão que só me quer mal, porque não aguardar ser a eleita? Porque me quero tão mal e me submeto à dor que me penetra e me consome? Quem sou afinal, amor, além da bela que dorme?...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Ali...


Diana Cunha (18.09.2006)

quarta-feira, agosto 09, 2006

Era uma força muito muito grande!

É uma força bruta que nos consome
Nos fura o peito, trava os pulmões.
Dá-nos um nó na garganta, enorme.
E sem mais estamos prontos a morrer.
No fim da vida, a angústia de viver.

domingo, julho 30, 2006

o lado obscuro


"Rua do Grito" (óleo s/tela 1.80x1.60), diana cunha

quarta-feira, julho 26, 2006

Erro de infância


E primeiro que eu conseguisse aperceber-me que todas as minhas certezas de infância não passaram do meu maior erro de vida?...ainda demorou um tempo a perceber, demoraram anos, passaram-se momentos e momentos de sofrer, de magoar, de intensidade sofrida, até que no culminar da minha fragilidade me tornei naquilo que sou. Um ser humano, em última instância. Uma mulher com vontade de viver.

segunda-feira, julho 24, 2006

Ainda o Lobo...uivando...


Lobo bom, Lobo mau. Lobo de uma noite no Verão. Lobo bom, Lobo mau, disse, eu sou a Lua a que uivas, daí de baixo quando segues o capuchinho. Há muito perdido, há muito encontrado por um Lobo mau, o capuchinho vermelho não está mais em mim, engolido pelo Lobo mau foi enfim salvo pela Lua. Sou. Sou a Lua a que uivas e não és mais que o Capuchinho indefeso que julgas ter engolido. Lobo bom, meu Lobo bom, és a alma da floresta que tímida ilumino. Lobo, Lobo mau, Lobo que vais uivando o teu destino. Ama-me esta noite, Lobo mau. Amanhã o céu estará vazio.

sábado, julho 22, 2006

o lobo que uivava

E o lobo olhava para a lua, porque era uma força de viver, onde encontrava a paz necessária para nunca a esquecer.
Uivava noite dentro, na floresta dos seus sonhos. Namorava aquela lua que sorria noite e dia. À noite a lua esperava-o entre as árvores, de dia a lua transformava-se em sol e aquecia a toca do lobo para o confortar. Passava outra noite e o lobo uivava novamente para chamar a lua. Desconhecia que ela não o deixava nem por um segundo.

segunda-feira, julho 17, 2006

fotografias


Vista sobre o Guadiana


"O contrabandista"
(Fotos por Diana Cunha)

sexta-feira, julho 14, 2006

o myspace/Mais um dia


No café, a certeza de uma chávena quente para me acordar a meio da tarde. Levanto-me porque o sol já acalmou, porque a água fria do duche promete momentos calmos, porque a minha pele suada já não suporta o peso dos lençóis. Sou expulsa da cama.Venho vestida de branco. Como ontem e anteontem e todos os dias da minha vida. Uma palidez controlada que se vai equilibrando com as sardas irrequietas que nascem de dia para dia. Na cara, nos braços, nas costas, já nem a minha mão direita escapa. Sempre gostei de sinais. Sobretudo quando nascem. Ao início a incerteza de que sejam sinais, há que segui-los com cautela, podem ser mera sujidade ou uma ferida mal sarada. Depois gosto deles porque me tornam sempre diferente de mim mesma de dia para dia, ao contrário desta minha palidez rotineira. Não gosto da rotina.

terça-feira, julho 11, 2006

Praia

Já vislumbro ao fundo, entre os troncos das árvores que bebem da ribeira, aquela praia de sonhos, onde os dias são maiores e as noites sobrevivem ainda de conversas na areia.
Onde fica o paraíso? No céu? Na Terra? Ou naquela pequena vila de céu lilás e areia por colher? Onde fica? No início ou no fim do Mundo? Na memória de quem o souber.
(Eleia)

segunda-feira, julho 10, 2006

Caixas

(óleo sobre tela,Pintura 1-ArCo, Diana Cunha, 2006)

Caixas e mais caixas que se arrumam por prioridades na nossa mente, no nosso coração atacado diariamente por tentativas de furto às joias nas caixas. Caixas de segredos, caixas de recordações, caixas que guardamos dentro de novas caixas como que para que as esqueçamos para sempre.
Guardo as caixas ordenadas na minha desordem umbilical e sigo o caminho confusa desta gente de caixas mal arrumadas numa arrumação aparente e plena de memórias douradas. Mal sabem eles que para mim as caixas são transparentes e que os segredos nas caixas não são mais que peidos, voláteis a que tapo o nariz, enfastiada.
Diana Cunha

domingo, maio 28, 2006

quarta-feira, maio 03, 2006

Autoretrato


Estranho esta forma de me ver...





(óleo sobre tela)
http://oficinadarco.blogspot.com
dieleia

sexta-feira, março 31, 2006

Sonhos

Tocam-me os lábios, as línguas,
Que me deixam salivar
Por entre ruelas contíguas
Às nuvens do meu sonhar.
E por rios e montanhas
Que tocam o arco no céu,
As línguas fazem-se estranhas,
Eles deixam de ser meus.
Esses sonhos tão voláteis,
Quando paro de chorar,
Nessas ruelas contíguas
Às nuvens do meu sonhar.

DiEleia

segunda-feira, março 06, 2006

Naufrágio

foto de eleia "barco"

Quem me roubou a inocência?
Sinto-me desesperar.
Sentada, espero a ocorrência
Do revolver do sal do mar,
Neste barco da paciência
Que tende a naufragar.
E o sol que me queima as feridas
Vai-se escondendo, aos poucos.
Só não se escondem em mim
Os gritos, altos e roucos.
eleia

O espelho de Alice (a ideia original)

Alice estava verdadeiramente numa encruzilhada. O espelho à sua frente mostrava-lhe as dificuldades do caminho que desejava tomar. Na sala ao lado esperava-a a sua mãe, fumando um cigarro inquieto, espectante das novidades de Alice. Depois de refrescada a cara, Alice abandonou a sua imagem no espelho e sentou-se na mesa do café onde a esperava Maria.
Mãe. O que eu tenho para dizer pode resumir-se numa frase...e no entanto, são palavras que nunca julguei ter de dizer.
Filha, estás a assustar-me. Conta-me. Sabes que podes falar comigo...e contar comigo.
Foi nesse momento que chegou Clara. Alice tinha combinado com ela naquele café, àquela hora. Aproximou-se da mesa onde estavam as duas, cumprimentou Alice e sentou-se.
Mãe, esta é a Clara. Ela é o que eu tenho para te dizer. Eu...nós vamos viver juntas.
Maria sorriu espantada. Soltou o nó que lhe prendia a garganta e esforçou-se por falar. Dizer o que não esperava dizer.
Pois, está numa boa altura de saires de casa, e se tens esta oportunidade de viver com uma amiga, tens o meu apoio. (Encheram-se os olhos de àgua e sal.)
Alice sorriu e, sem mais demoras, saltou do lado de cá do espelho.
Eu e a Clara namoramos.
Maria levantou-se da cadeira e pagou a despesa.
Dá-me tempo para aceitar o teu mundo,Alice.
Alice e Clara aventuraram-se pelo país das maravilhas.


Eleia

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Esconderijos

Começaremos em breve com o encontro divino, numa esquina qualquer da minha trompa de falópio, entre um pedaço de ti e um pedaço de mim, que se amam no esconderijo da vida.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Janela perdida


Fotografia de Eleia, Janela.
Da janela vejo o céu,
Meu canto de liberdade.
Entre as cortinas corto o véu,
Traje de uma saudade.
Sentada no silêncio do escuro
Deste quarto onde definho,
Nada mais que a minha mente
De onde eu grito, baixinho.
Eleia

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Perguntaram-me pela Saudade

“E tu, de que sentes saudade?”
Sem pensar muito respondi:

Tenho saudade da minha ingenuidade...que me permitia sentir tudo de uma forma mais intensa do que hoje. Apaixonar-me até à minha destruição. É disso que tenho saudade. Sofrer, mas ainda assim, viver experiências irrepetíveis, estouvada.
Foi assim que me apaixonei por ti, por exemplo... Sem sequer ter tempo de aperceber-me que o momento nunca iria prolongar-se pela eternidade como eu julgava.
Tenho saudade dos Verões da adolescência no nosso "Paraíso". De sair contigo para dar uma volta na ribeira, logo pela manhã. Ter assim a minha vida entregue à pessoa que amo. Assim, numa manhã de Verão, no chão molhado de uma ribeira desconhecida mas tão íntima de nós.
Saudade de ter coragem, de não ter medo de me entregar.
Sinto saudade enfim...do que não aconteceu.
Eleia