domingo, julho 30, 2006

o lado obscuro


"Rua do Grito" (óleo s/tela 1.80x1.60), diana cunha

quarta-feira, julho 26, 2006

Erro de infância


E primeiro que eu conseguisse aperceber-me que todas as minhas certezas de infância não passaram do meu maior erro de vida?...ainda demorou um tempo a perceber, demoraram anos, passaram-se momentos e momentos de sofrer, de magoar, de intensidade sofrida, até que no culminar da minha fragilidade me tornei naquilo que sou. Um ser humano, em última instância. Uma mulher com vontade de viver.

segunda-feira, julho 24, 2006

Ainda o Lobo...uivando...


Lobo bom, Lobo mau. Lobo de uma noite no Verão. Lobo bom, Lobo mau, disse, eu sou a Lua a que uivas, daí de baixo quando segues o capuchinho. Há muito perdido, há muito encontrado por um Lobo mau, o capuchinho vermelho não está mais em mim, engolido pelo Lobo mau foi enfim salvo pela Lua. Sou. Sou a Lua a que uivas e não és mais que o Capuchinho indefeso que julgas ter engolido. Lobo bom, meu Lobo bom, és a alma da floresta que tímida ilumino. Lobo, Lobo mau, Lobo que vais uivando o teu destino. Ama-me esta noite, Lobo mau. Amanhã o céu estará vazio.

sábado, julho 22, 2006

o lobo que uivava

E o lobo olhava para a lua, porque era uma força de viver, onde encontrava a paz necessária para nunca a esquecer.
Uivava noite dentro, na floresta dos seus sonhos. Namorava aquela lua que sorria noite e dia. À noite a lua esperava-o entre as árvores, de dia a lua transformava-se em sol e aquecia a toca do lobo para o confortar. Passava outra noite e o lobo uivava novamente para chamar a lua. Desconhecia que ela não o deixava nem por um segundo.

segunda-feira, julho 17, 2006

fotografias


Vista sobre o Guadiana


"O contrabandista"
(Fotos por Diana Cunha)

sexta-feira, julho 14, 2006

o myspace/Mais um dia


No café, a certeza de uma chávena quente para me acordar a meio da tarde. Levanto-me porque o sol já acalmou, porque a água fria do duche promete momentos calmos, porque a minha pele suada já não suporta o peso dos lençóis. Sou expulsa da cama.Venho vestida de branco. Como ontem e anteontem e todos os dias da minha vida. Uma palidez controlada que se vai equilibrando com as sardas irrequietas que nascem de dia para dia. Na cara, nos braços, nas costas, já nem a minha mão direita escapa. Sempre gostei de sinais. Sobretudo quando nascem. Ao início a incerteza de que sejam sinais, há que segui-los com cautela, podem ser mera sujidade ou uma ferida mal sarada. Depois gosto deles porque me tornam sempre diferente de mim mesma de dia para dia, ao contrário desta minha palidez rotineira. Não gosto da rotina.

terça-feira, julho 11, 2006

Praia

Já vislumbro ao fundo, entre os troncos das árvores que bebem da ribeira, aquela praia de sonhos, onde os dias são maiores e as noites sobrevivem ainda de conversas na areia.
Onde fica o paraíso? No céu? Na Terra? Ou naquela pequena vila de céu lilás e areia por colher? Onde fica? No início ou no fim do Mundo? Na memória de quem o souber.
(Eleia)

segunda-feira, julho 10, 2006

Caixas

(óleo sobre tela,Pintura 1-ArCo, Diana Cunha, 2006)

Caixas e mais caixas que se arrumam por prioridades na nossa mente, no nosso coração atacado diariamente por tentativas de furto às joias nas caixas. Caixas de segredos, caixas de recordações, caixas que guardamos dentro de novas caixas como que para que as esqueçamos para sempre.
Guardo as caixas ordenadas na minha desordem umbilical e sigo o caminho confusa desta gente de caixas mal arrumadas numa arrumação aparente e plena de memórias douradas. Mal sabem eles que para mim as caixas são transparentes e que os segredos nas caixas não são mais que peidos, voláteis a que tapo o nariz, enfastiada.
Diana Cunha